
Por Sintese Agro Science | Tempo de leitura: 4 min
Você já imaginou ter um exército microscópico trabalhando 24 horas por dia dentro das suas plantas para combater doenças? Parece ficção científica, mas essa é a realidade que a biotecnologia endofítica trouxe para o campo.
A ciência agrícola acaba de ganhar um novo capítulo, e ele foi escrito aqui. Com orgulho, anunciamos que o time de PD&I da Sintese Agro Science é o responsável pela descoberta e validação de um fungo endofítico da espécie Trichoderma asperelloides com dados comprovadamente positivos para uso agrícola.
“Enquanto o mercado busca soluções genéricas, nossa pesquisa mergulhou fundo na microbiologia para encontrar um agente biológico inédito, capaz de redefinir os padrões de controle de doenças de solo.”
Mas afinal, o que é um Fungo Endofítico?
Para entender a inovação, precisamos entender a biologia. Diferente de produtos que apenas “cobrem” a planta superficialmente, o T. asperelloides é um endofítico.
Isso significa que ele possui a habilidade única de penetrar nos tecidos da planta e viver em simbiose com ela, sem causar danos. É uma parceria evolutiva: o fungo ganha abrigo e, em troca, atua como um “sistema imunológico” extra, protegendo as raízes de dentro para fora. Estudos mostram que o uso de endofíticos é uma das estratégias mais promissoras para reduzir a dependência de químicos sintéticos na agricultura moderna.
O Desafio Oculto no Solo
Todo produtor sabe que o solo pode esconder inimigos silenciosos. Fitopatógenos como Fusarium, Rhizoctonia, Macrophomina e Sclerotinia são responsáveis por perdas massivas de produtividade global, causando doenças devastadoras como o mofo-branco e a podridão de carvão.
O combate tradicional envolve fungicidas químicos que, embora úteis, trazem desafios:
- Alto custo operacional.
- Risco de resistência por parte dos patógenos.
- Impacto ambiental e na microbiota benéfica do solo.
A Solução da Sintese: Eficácia Comprovada em Laboratório
Nossa pesquisa, publicada recentemente na Revista Luminária e conduzida em nosso Laboratório de Bioprospecção, Bioquímica e Biotecnologia Microbiana (LBBBM), revelou dados que validam o T. asperelloides como um agente de biocontrole de elite.
Em testes de confronto direto, o fungo demonstrou taxas de inibição impressionantes contra os principais vilões da agricultura:
| Inimigo (Patógeno) | Doença | Taxa de Inibição pelo T. asperelloides |
| Sclerotinia sclerotiorum | Mofo-branco | 90% |
| Rhizoctonia solani | Tombamento | 89% |
| Fusarium oxysporum | Murcha de Fusarium | 66% |
| Macrophomina phaseolina | Podridão de carvão | 55% |
Nota Técnica: Uma inibição de 90% contra Sclerotinia é um marco significativo, considerando a dificuldade de controle deste patógeno que forma estruturas de resistência no solo (escleródios).
Mecanismos de Ação: Como ele vence a batalha?
A eficácia do T. asperelloides não é sorte, é biologia pura. Ele utiliza uma estratégia de “guerra” em duas frentes:
- Competição por Espaço (Exclusão Competitiva):
O T. asperelloides cresce de forma vigorosa e rápida. Ele ocupa fisicamente o espaço nas raízes antes que o patógeno consiga se instalar. Basicamente, ele “lotam a casa” e não deixam o inimigo entrar. Esse mecanismo é crucial, pois fungos como o Trichoderma são conhecidos por sua habilidade de colonizar a rizosfera eficientemente.
- Arsenal Enzimático:
Aqui está o diferencial que nossa equipe quantificou com precisão. Após a barreira física, o fungo ativa um mecanismo secundário letal para os patógenos: a produção de um coquetel de enzimas hidrolíticas.
Em nossos testes de espectrofotometria, mapeamos a concentração exata dessas “armas biológicas” que degradam a parede celular dos fungos inimigos:
| Enzima | Concentração (Atividade) | Atuação |
| Protease | 5,90 × 10⁻¹ mg/mL | Degrada proteínas estruturais do patógeno |
| Quitinase* | 6,72 × 10⁻³ U/mL | Degrada parede celular dos patógenos |
| Celulase | 4,34 × 10⁻³ U/mL | Sinalizador celular para as plantas ativarem as defesas |
| Amilase | 6,36 × 10⁻⁴ U/mL | Diminui as reservas energéticas dos patógenos |
*Valores obtidos em fermentação com milhocina.
O que isso significa na prática?
Esses números provam que nosso T. asperelloides não apenas compete por espaço; ele literalmente desintegra a estrutura dos fungos fitopatogênicos (como Sclerotinia e Rhizoctonia), que são compostos majoritariamente por quitina e proteínas. É um ataque cirúrgico e devastador contra a doença.
Conectando com o Futuro (ESG)
Adotar soluções biológicas como esta não é apenas uma decisão agronômica, é um passo em direção ao ESG (Environmental, Social, and Governance). Ao reduzir a carga química e recuperar a biodiversidade do solo com microrganismos nativos ou adaptados, o produtor rural se alinha às demandas globais por uma agricultura mais limpa e regenerativa.
A Sintese Agro Science orgulha-se de liderar esse movimento, entregando tecnologias que saem da bancada do laboratório para resolver problemas reais no campo.
Referências:
Leite et al. Antagonistic activity and hydrolytic enzyme production by endophytic Trichoderma asperelloides for the biological control of soilborne phytopathogens. Revista Luminária, v. 27, n. 1. 2025. https://doi.org/10.33871/23594373.2025.27.1.10854
